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Negros são maioria em bares e restaurantes do Brasil, mostram dados da Abrasel

Pretos e pardos são 63% de quem trabalha no setor e lideram boa parte dos negócios de alimentação. A renda, porém, ainda é menor.

Pretos e pardos são 63% de quem trabalha em bares e restaurantes no Brasil, segundo a Abrasel

Pretos e pardos são 63% de quem trabalha em bares e restaurantes no Brasil, segundo a Abrasel. Foto: Divulgação.

De cada dez pessoas que trabalham em bares e restaurantes no Brasil, seis são pretas ou pardas. Levantamento da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), feito com base na Pnad Contínua do IBGE, mostra que 63% da mão de obra do setor é negra. Entre os trabalhadores informais, a proporção sobe para 65%.

Também à frente do negócio

A presença negra não está só na cozinha e no salão. Pesquisa do Sebrae com dados da Pnad Contínua aponta que 16 milhões de pessoas pretas ou pardas têm negócio próprio no país, o equivalente a 52,7% dos empreendedores brasileiros. De 2014 a 2024, esse número cresceu 22,1%.

Alojamento e alimentação é o segundo segmento com mais empreendedores negros. Segundo a Abrasel, 85% dos negócios desse segmento são bares e restaurantes.

Negócios pequenos, renda menor

O setor é formado sobretudo por pequenos negócios. Em 2023, 68% das empresas de bares e restaurantes eram MEI, categoria com faturamento de até R$ 81 mil por ano, segundo a Abrasel.

A diferença de renda aparece quando se compara a cor de quem empreende. Dados do Sebrae do terceiro trimestre de 2023 mostram que 77,6% dos empreendedores negros recebem até dois salários mínimos por mês. Entre os brancos, são 56,8%. Na outra ponta, só 4,3% dos empreendedores negros ganham cinco salários mínimos ou mais, contra 13,5% dos brancos.

Visibilidade como ferramenta

É nesse cenário que o Guia Black Chefs, vertical de gastronomia do Mundo Negro, lança o Prêmio Black Chefs 2026. Pelo voto popular, o prêmio vai eleger os melhores restaurantes, bares, docerias e negócios de comida comandados por pessoas negras em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Cada vencedor ganha reportagem, vídeo publicado nos perfis do Mundo Negro e uma placa para expor no estabelecimento.

A inscrição é gratuita e não exige CNPJ.